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A Carta

Innerer Monolog zum Thema Innenwelt


von Lisboeta


(von Lisboeta)
A carta chegou. Está perante os meus olhos. Levei-a comigo entre a solidão permeada de tantas gentes. Muito grande estava ela ali, mesmo no meio da multidão, seguindo-me para onde eu seguia. Só tinha lido o remetente e já aquela doçura amiga me envolvia o coração. E no entanto não a abri, ainda não.

Uma falta de coragem de ler a verdade. Porquê? Porque receio a realidade? Sendo eu um facto único, terei medo de mim? Eu conheço a alma que incorpora todas essas letras, não escritas à deriva como as minhas, normalmente não. Eu conheço a música dessas frases quase de cor. Eu inspiro os perfumes dos pensamentos limpos e mansos, quase meigos. De que tenho eu medo?

Nem preciso de responder já, ainda não. Mais tarde. Tenho tanto tempo para respirar fundo e inalar todas as palavras que a carta protege no envelope carinhoso.

Porque me parece tão difícil ler as respostas que se encontram em mim mesmo? E novamente partilhar dessa Humanidade sequiosa de amor e de liberdade?

Daqui a pouco vou abrir a carta.

Não, não a vou colocar sobre um pedestal. Não fosse a coluna cair e as frases partindo-se, espalharem-se as palavras pelo chão, perdidas na infinidade das letras.

Pensei, sim, em amachucar a carta e colocá-la sobre um banco de jardim, para o vento não a soprar tão facilmente. Mais tarde voltaria atrás e abriria o papel, que rebolara na terra, não muito longe do banco.

Mas se as letras se partissem e assim em cacos sem sentido se perdessem, quando poderia saber o que nos fala no coração?

06.09.2009


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Dies ist ein Text des mehrteiligen Textes De mim para mim.
Veröffentlicht am 06.09.2009, 4 mal überarbeitet (letzte Änderung am 19.09.2009). Textlänge: 272 Wörter; dieser Text wurde bereits 1.672 mal aufgerufen; der letzte Besucher war ein Gast am 15.09.2019.
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