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Só as moscas é que mudam

Gedicht zum Thema Krieg/Krieger


von Lisboeta

Eles prometem pensar na paz
e recebem prémios mundiais de valor.
Porém negoceiam novos contratos
comprando aviões de guerra
às fábricas dos países do pacto,
vendendo armas e veículos pesados,
mais pesados do que os elefantes
caminhantes sobre as flores dos prados.

E isolam os seus irmãos, políticos
dos governos mais morenos
que comandam tropas militarizadas,
após terem comprado no ocidente
os calibres das suas espingardas.

Ainda as energias fatais e nucleares
que, descarados, se atrevem a produzir,
declarando-se igualmente perigosas
como estas produzidas deste lado,
garantes da nossa segurança pacífica.
E lutando pela paz nos matam os filhos
em terras distantes, onde vão servir
os estados nossos e democráticos.

E os prémios continuam a distribuir-se
entre guerras, calamidades e fogos.
Expandem-se com a guerra os negócios,
as grandes companhias e mais os bancos
enquanto os povos sangram em suas casas,
pelos caminhos, nas pontes, nas estradas,
nos comboios e metropolitanos.

Porque não compramos de imediato,
nós políticos das terras do sol posto,
esse nascer do sol do outro lado
e viramos já o globo ao contrário?

Poderíamos trazer a paz finalmente
aos pobres em desenvolvimento,
levar riqueza aos míseros orientais
e aos desfavorecidos do sul quente.
Libertaríamos os seus paraísos exóticos
dessas catástrofes naturais e climáticas,
aos lazeres europeus tão incómodas.

Assim poderiam por sua mão, eles
negociar a guerra e a destruição
deste nosso mecanismo industrial
pendurado de cabeça para baixo
na parte inferior do globo.

Como disse o nosso escritor:

“A porcaria é sempre a mesma,
só as moscas é que mudam.”

31.03.2010


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